
a mínima flutuação da nossa percepção visual provoca rupturas na simetria do que vemos. assim, olhando a mesma figura, ora vemos um cálice dourado ao centro, ora vemos velhinhos com olhares pra alma, ora vemos um simpático homem cantando para uma mulher com um vaso na cabeça e uma segunda na porta a observar. qual das imagens é verdadeira? todas e nenhuma. é esta ambiqüidade e a complexidade da situação do tempo presente, um tempo de transição, síncrone com muita coisa que está além ou aquém dele, mas descompassado em relção a tudo o que o habita.
Indiscutivelmente quebras de simetria sempre trazem algo novo ao mundo. A parte boa é que o "ser ambíguo" nos proporciona, além de uma dúvida a priori, a liberdade de escolher a realidade mais agradável para viver. E após a transição que hoje se mostra espessa, mas no futuro parecerá tão tênue, saberemos que apesar dos pesares e dos descompassos que se escondem no fundo de suaves melodias, o caminho era o correto. E de fato levava ao sentido real do que é ser feliz.
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